20.11.09

Olha só: o sentido da minha existência consiste em discutir tudo o que é, paradoxalmente, essencial e supérfluo à humanidade. Se você, por acaso, for avesso a essas contradições inerentes à espécie humana, fique à vontade para fazer o recorte mais adequado aos seus interesses e ao seu modo de ver as coisas, tendo a liberdade de me chamar de intelectual ou de desocupada.

19.11.09

Pessoas cariocas em São Paulo... Cicerone (que pode ser ou não Custine) volta em três dias. Ou antes.

18.11.09

A estrela.


M. comentou comigo, certa vez, que esta era uma de suas cartas favoritas. Esperança, fé, confiança no futuro. E era uma carta que, confesso, nunca apareceu em nenhum dos meus jogos - até ontem. A explicação talvez esteja na própria reunião de todos eles: creio que todas as minhas tiradas da cruz celta, desde o momento que eu comecei a me interessar pelo tarô, marcaram ciclos. A presença excessiva de cartas de paus e espadas em casas determinantes dentro dos jogos marcavam um armamento prático, intelectual e despido de sentimentalismo que determinava o decorrer de outras situações...

Mas enfim, casa 6 - A Estrela.

Por que essa carta é tão linda, tão alegre, tão pagã, tão ingênua? Sim, pela primeira vez, em muito tempo, a boa fé se materializou, tomou corpo e me enlaçou naquele momento solitário em uma cadeira de auditório. A força desse arcano é indescritível: preenche a vida de uma sensação de plenitude que nem O Mundo consegue fazê-lo. O Mundo é a plenitude acabada, o fim da luta, o c'est fini dos Arcanos Maiores, e A Estrela é a volta dos motivos para continuar lutando - o que preenche muito mais a alma humana - que nunca se acostumará com a ideia de totalidade.

Há motivos ainda para continuar lutando. Creio que não há outra opção se não fazê-lo.

16.11.09

Li A Romana, de Alberto Moravia, com 16 anos. Li com paixão, totalmente identificada, embora Adriana tivesse se transformado em uma prostituta por questões, digamos, circunstanciais, enquanto eu ainda nem sabia o que era uma trepada no sentido prático do termo. Talvez por uma indolência estranha, por perceber que a vida é um carrossel, em que os personagens e acontecimentos, a princípio inéditos, passam a se repetir a cada volta. Eu talvez seja tão doce, passiva e danificada quanto ela - e talvez com uma limitação hedionda em relação ao algo maior que cortava a sua vida. E um medo enorme de pensar demais. É isso que a diferencia de Giacomo Diodati na narrativa. Deve ser por isso que ela não se matou.

Oops, aí há uma diferença.

Não que eu vá me matar - nisso, sou tão medrosa quanto ela. Tenho medo do que pode vir depois (seja o "depois" tudo ou nada). Mas enfim, o pensamento excessivo é a razão da minha vida ser, talvez, tão penosa. Tudo começou com Marcel Duchamp, que resolveu dar outro nome a uma privada. Ou talvez outro cara que tenha feito algo muito parecido em um contexto específico. É agoniante pensar que um gesto qualquer ou até mesmo o tempo que se seguirá para uma pessoa após a morte de si mesmo pode se resumir em duas simples - porém abrangentes - palavras: tudo ou nada. Consiste nesse sutil aspecto, talvez, todo o cerne de minha vida - e é nessa agonia que me afundo, em certos momentos, confesso, com laivos de um prazer sado-masoquista. Adriana poderia ser um ser passivo e desgraçado para um leitor ingênuo. Ou poderia ser muito mais.

15.11.09

Do nada. Assim me bateu aquela saudade louca das gargalhadas divertidas, das observações mordazes, do amor com dificuldade de se expressar... Minto: a passagem de Ánia, aqui em casa, talvez tenha suscitado tudo isso. Wa traz uma saudade absurda. Olho coisas suas ainda com uma frequência absurda: fotos, textos, lembranças, recados. Lamento por não ter nenhuma com ele... Preciso escrever à K. para perguntar dela, da mãe, de Bento. Sinto tanta falta... Sinto tanta falta.
Preparem os seus bolsos: finalmente, Feira do Livro na FFLCH!
Dias 25, 26 e 27 de Novembro, das 9 às 21hs.
Maiores informações aqui.

14.11.09

Estou com mais um blog, falando sobre cultura russa e afins: http://adamadeespadas.wordpress.com

Prestigiem ;)

13.11.09

Vai passar. Logo, logo.
Há determinadas coisas que, a princípio, nos parecem ruins, trágicas... Como se fossem um corte irremediável em nossas expectativas. Por outro lado, é necessário, talvez, que elas aconteçam. Sem elas, talvez nossa vivência acabasse ocorrendo de forma incompleta, imatura... In media res, nas palavras do Dani. Por mais que eu esteja chateada e frustrada, é um bom acontecimento para se começar a pensar. Aproveito para agradecer ao apoio que todos têm me dado... E prometo que farei jus a essas expectativas. Ou talvez até mais.

9.11.09

Eu às vezes ria, outras achava ridículo - o que, no final, dá na mesma - quando o A. dizia ser diferente dos outros, sendo "detentor de uma missão na terra" (embora ele não tivesse a mínima ideia de qual fosse) e outras paspalhices. Ria, mas intimamente tinha a convicção de que me era reservado um destino parecido. Afinal, não é possível que um ser tão intratável e excêntrico como eu fosse destinado a viver como um comum. Argumento de loser ou concepção excessivamente romântica para os nossos dias, essa era (e provavelmente continua sendo, sl) a minha justificativa para uma trajetória de vida tão bizarra. Hoje assisti Coco Chanel com a Audrey Tatou e, confesso, fiquei comovida até as lágrimas (é, ultimamente ando me comovendo com muita coisa, sei disso) com um destino tão esplendoroso e, ao mesmo tempo, tão nefasto. Devo ter algum traço em meu mapa astrológico natal que me impede de exalar toda a carga transgressora que carrego comigo, e talvez seja isso que me faça encarar vidas como a minha e a de Mlle. Chanel com um misto de fascínio e desespero. Aliás, já havia percebido que o meu mapa consiste em um conjunto de forças contrárias que irão se degladiar até o fim da minha vida e... Eu simplesmente adorei o filme. Fiquei encantada com a minha primeira aula da pós e... Ainda não consigo me livrar de determinados pensamentos obsessivos. Bem, cansei de perguntar-me, Mlle. Às leituras.